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Golpes por Telefone e Mensagem: Os Mais Comuns e Como se Proteger

Uma mensagem dizendo que sua encomenda está parada, uma ligação avisando que você ganhou um prêmio, um contato pedindo dinheiro com urgência. Os golpes por telefone e mensagem mudam de roupa o tempo todo, mas quase sempre seguem o mesmo roteiro: criar pressa, ganhar sua confiança e pedir dados ou dinheiro.

Neste guia você conhece os golpes mais comuns, aprende a reconhecer os sinais de alerta e vê o que fazer se você ou alguém da sua família cair em um deles.

Por que os golpes por telefone funcionam tão bem?

Os golpistas contam com dois fatores: pressa e emoção. Quando a mensagem fala de um problema urgente, de um familiar precisando de ajuda ou de um prêmio que vai expirar, a pessoa age antes de pensar. Além disso, muitos golpes usam informações verdadeiras, como seu nome ou o banco em que você tem conta, obtidas em vazamentos de dados. Isso faz a abordagem parecer legítima.

A melhor defesa é conhecer os roteiros. Depois que você reconhece o padrão, fica muito mais fácil desconfiar.

1. Golpe da taxa de encomenda

Como funciona: chega um SMS ou mensagem dizendo que sua encomenda está retida e que é preciso pagar uma pequena taxa de reentrega ou de alfândega. A mensagem traz um link para uma página que imita o site de uma empresa de entregas, onde você digita os dados do cartão ou paga um código.

Sinais de alerta:

  • Você não está esperando nenhuma encomenda ou não lembra de ter comprado algo do exterior.
  • O link tem um endereço estranho, encurtado ou diferente do site oficial.
  • A mensagem dá um prazo curto, como “pague hoje ou o pacote será devolvido”.

Como se proteger: não clique no link. Se você tem uma compra a caminho, consulte o rastreamento digitando você mesmo o endereço do site oficial ou abrindo o app da loja onde comprou.

2. Golpe do falso prêmio

Como funciona: uma ligação ou mensagem informa que você ganhou um sorteio, um carro ou um valor em dinheiro. Para liberar o prêmio, porém, é preciso pagar uma taxa, informar dados bancários ou passar um código recebido por SMS.

Sinais de alerta:

  • Você não se inscreveu em nenhuma promoção.
  • Pedem pagamento antecipado para “liberar” o prêmio.
  • Pedem que você mantenha segredo ou decida na hora.

Como se proteger: promoções sérias não cobram para entregar prêmios. Desligue e, se quiser confirmar, procure a empresa pelos canais oficiais que você mesmo encontrar.

3. Golpe do “troquei de número, me manda um Pix”

Como funciona: alguém manda mensagem de um número novo, com a foto de um filho, sobrinho ou amigo, dizendo que trocou de celular. Depois de uma conversa curta, vem o pedido: pagar uma conta urgente ou fazer uma transferência, com a promessa de devolver no dia seguinte.

Sinais de alerta:

  • A pessoa evita atender ligação ou chamada de vídeo.
  • O jeito de escrever é diferente do habitual.
  • A conta para o pagamento está no nome de outra pessoa.

Como se proteger: antes de qualquer transferência, ligue para o número antigo da pessoa ou fale com alguém próximo dela. Outra dica é fazer uma pergunta que só ela saberia responder.

4. Golpe da falsa central do banco

Como funciona: você recebe uma ligação de alguém que se apresenta como funcionário do seu banco, avisando sobre uma compra suspeita no seu cartão. Para “cancelar” a compra, a pessoa pede sua senha, o código recebido por SMS, que você instale um app de acesso remoto ou que transfira o dinheiro para uma “conta segura”.

Sinais de alerta:

  • Pedem senha, código de verificação ou dados completos do cartão.
  • Pedem que você instale algum aplicativo durante a ligação.
  • Falam em “conta segura” ou “conta de proteção” para onde levar seu dinheiro.

Como se proteger: o banco não pede senha nem transferência por telefone. Desligue e entre em contato você mesmo pelo app oficial ou pelo número impresso no verso do cartão. Se possível, ligue de outro aparelho, pois em alguns casos a linha pode continuar presa na ligação anterior.

Como proteger pais e avós

Pessoas mais velhas costumam atender qualquer ligação e confiam em quem fala com educação. Algumas atitudes simples ajudam:

  • Converse sobre os golpes mais comuns, com exemplos reais, sem assustar.
  • Combine uma “palavra-chave” da família para confirmar pedidos de dinheiro.
  • Ative no celular deles o filtro de spam e a opção de silenciar números desconhecidos.
  • Deixe claro que podem ligar para você antes de fazer qualquer pagamento pedido por telefone.

Caí em um golpe. E agora?

Se você passou dados ou fez algum pagamento, agir rápido aumenta as chances de reduzir o prejuízo:

  1. Fale com o seu banco imediatamente pelos canais oficiais, conte o que aconteceu e peça o bloqueio do cartão ou da conta, se for o caso. No Brasil, transferências por Pix podem ser contestadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), que deve ser solicitado ao seu banco.
  2. Troque suas senhas, começando pelo banco, pelo e-mail e pelos apps de mensagem.
  3. Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp e nas suas contas principais.
  4. Registre um boletim de ocorrência. Em muitos lugares isso pode ser feito pela internet, na delegacia virtual.
  5. Avise seus contatos se a sua conta de mensagens foi usada pelo golpista, para que ninguém faça transferências.
  6. Guarde as provas: prints das conversas, número que ligou, comprovantes e horários.

Fora do Brasil, os passos são parecidos: procure o banco, a polícia e o órgão de defesa do consumidor do seu país.

Veja também:

Neta mostrando o celular para a avó no sofá e explicando como evitar golpes

Conclusão: desconfiar é a melhor proteção

Pressa, segredo e pedido de dinheiro ou de códigos são os três sinais que se repetem em quase todos os golpes. Ao perceber qualquer um deles, pare, desligue e confirme a história por um canal que você mesmo escolheu. Compartilhe essas dicas com quem você ama: muitas vezes, uma conversa em família evita um prejuízo grande.

Para receber menos ligações suspeitas, veja também o passo a passo Como bloquear ligações de spam e números desconhecidos no Android e iPhone.